Quarta-feira, Março 25, 2009

É o que sinto...

... quando te olho!

Parabéns meu doce,
querida Lorenita ;o)

Domingo, Fevereiro 15, 2009

Porque te amo

Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

A magia do Natal


Por mais belo
que seja o caminho,
por mais bela que seja a paisagem,
por mais emocionante
que seja a viagem ou a aventura,
nada se compara ao que sinto
quando te sei do meu lado,
quando partilhamos o caminho
e o fazemos juntos!

Adoro-te, minha querida!
Feliz NATAL 2008!!! ;o)

Sábado, Novembro 15, 2008

Não quero ser... sem que me olhes


Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

E como são belos os teus olhos, meu amor! Neles sinto a Primavera, todos os dias.
Parabéns doçura! ;o)

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Flores que nascem dos teus lábios


Olho os teus olhos fechados,
ouço a tua respiração breve.
E sei que sabes que te vejo,
como tu sabes que eu o sei.

Admiro, meu amor, o teu sonho.
Levas-me para fora da cidade,
às estradas ermas dos arredores,
onde voo sobre o teu corpo.

E um outro nos aparece:
ramos, são os teus braços;
flores,as que nascem dos teus lábios;
corre um rio no vale entre os seios.

E volto a ser um camponês,
trabalhando a terra que me dás.

Nuno Júdice

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Só eu sei...

... como me sinto,
quando damos as mãos,
trocamos um carinho,
ou quando os teus olhos me encontram,
e me tocam,
no mais fundo de mim.

Parabéns,
minha doce Lorenita ;o)

Terça-feira, Março 25, 2008

Tus manos

Cuando tus manos salen,
y amor, hacia las mías,
qué me traen volando?
Por qué se detuvieron en mi boca,
de pronto,
por qué las reconozco
como si entonces antes,
las hubiera tocado,
como si antes de ser
hubieran recorrido
mi frente, mi cintura?

Su suavidad venía
volando sobre el tiempo,
sobre el mar, sobre el humo,
sobre la primavera,
y cuando tú pusiste
tus manos en mi pecho,
reconocí esas alas
de paloma dorada,
reconocí esa greda
y ese color de trigo.

Los años de mi vida
yo caminé buscándolas.
Subí las escaleras,
crucé los arrecifes,
me llevaron los trenes,
las aguas me trajeron,
y en la piel de las uvas
me pareció tocarte.
La madera de pronto
me trajo tu contacto,
la almendra me anunciaba
tu suavidad secreta,
hasta que se cerraron
tus manos en mi pecho
y allí como dos alas
terminaron su viaje.
Pablo Neruda

Loml ;o)*


Terça-feira, Janeiro 29, 2008

Querer... é poder!

"Aquilo que encanta também guia e protege, apaixonadamente obcecados por seja o que for que amemos - barcos à vela, aviões, ideias ... uma avalancha de magia aplaina-nos o caminho, dilui regras, razões, divergências, transporta-nos sobre abismos, temores, dúvidas. Sem o poder desse amor, somos barcos imobilizados em mares de tédio, mortalmente."

Richard Bach

Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

"Estar enamorado...


... é suspeitar, definitivamente,
que a solidão da nossa sombra está vencida."

Francisco Luís Bernardez

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Há imagens que valem mais...

... do que mil palavras!!!

Sábado, Dezembro 15, 2007

Só o Amor...

Quando alguém nos acontece, transfigura o próprio sentido da nossa existência. O seu olhar prende-nos. Faz-nos deflagrar. Converte-nos para si. Transfigura em absoluto tudo. Exprime o poder total do sortilégio de um olhar que incendeia.
Como é possível que um rosto se destaque da multidão de rostos que vemos todos os dias ao longo da nossa vida? Como é possível até que um rosto já familiar se destaque um dia das inumeráveis vezes que o vimos? Qual é a natureza desse destaque que se acende ao mesmo tempo que apaga todos os outros?
De certeza que não resulta da simples beleza. O fotógrafo, o realizador, o pintor, o esteta, todos nós o sabemos de uma forma ou de outra. A divina beleza não chega para preencher uma alma. Só outra alma.
Quando da profundidade da vida, o rosto de alguém se revela, esse alguém passa a tomar conta da nossa vida até se confundir com ela. Tudo inunda. Interpõe-se entre nós e o mundo inteiro. Parece impossível, mas o facto é que entre nós e o mundo impõe-se a sua presença terna e doce. Somos esse reino intermédio, esse entre nós e tudo- mas mesmo tudo- o resto. A beleza invade e contamina. Acorda o amor, deixa-nos vulneráveis, totalmente expostos, frágeis como a asa de uma borboleta que só tem um dia para viver, uma ferida viva. O amor chega-nos com doçura, é doce. A doçura é aqui uma metáfora do sonho. A nossa vida torna-se num sonho, num sonho de amor.

Pedro Paixão, in “Ladrão de Fogo

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Deep Inside

If you’re a cowboy I would trail you,
If you’re a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you’re a sailboat I would sail you to the shore.
If you’re a river I would swim you,
If you’re a house I would live in you all my days.
If you’re a preacher I’d begin to change my ways.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was in jail I know you’d spring me
If I was a telephone you’d ring me all day long
If was in pain I know you’d sing me soothing songs.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was hungry you would feed me
If I was in darkness you would lead me to the light
If I was a book I know you’d read me every night

If you’re a cowboy I would trail you,
If you’re a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you’re a sailboat I would sail you to the shore.
If you’re a sailboat I would sail you to the shore.

Katie Melua - “If You Were a Sailboat”
(http://www.youtube.com/watch?v=x25F3-sR2Yo)

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Poema

Quero escrever-te um poema que
tenha um sentido claro como o
que os teus olhos me disseram.

poderia ser um poema de amor,
tão breve como o instante em
que me deixaste ver os teus olhos.

mas o que os olhos dizem não cabe
num poema, nem eu sei como se diz
o amor que só os olhos conhecem.

Nuno Júdice

Sábado, Dezembro 01, 2007

Momentos

Há momentos assim.

Momentos que justificam um post,
um blog,
mas mais,
muito mais...
todo um sentimento!

Ouvir a tua voz.
Sem esperar.
De surpresa.

Daí.
Tão perto de mim.
tão certo em ti.

Sentir que me entendes.
Que percebes como é importante.
Que sentes.

Há momentos assim.

Domingo, Novembro 25, 2007

;-)

Quinta-feira, Novembro 22, 2007

E por seres assim...


Para o meu coração...
basta o teu peito.

Pablo Neruda

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Tu...


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Pensamento


"É bom dar quando alguém pede,
mas é melhor ainda poder entregar tudo a quem não pediu nada."

Khalil Gibran

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Sei...


Com o coração a escorrer milagres,
sei que a vida começa por dentro.

Inês Leal

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Gosto quando te calas


Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

Pablo Neruda

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

Sons Íntimos


Abre um pouco os lábios,
deixa-os escutar o que te digo.

Pedro Jordão

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Olhares


Esta vista de mar, solitariamente, dói-me.
Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas,
me dariam riso e bálsamo.
A arte da Natureza pede
o amor em dois olhares.

Fiama Hasse Pais Brandão

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Lar


Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa
e onde se dorme à noite o sono da infância.
Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.
Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam:
um estalar de madeiras, um ranger de degraus,
um sussurrar de cortinas.
Lar é onde não se discute a posição dos quadros,
como se eles estivessem ali desde o princípio dos tempos.
Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto,
o pequeno defeito do caixilho,
são imutáveis como uma assinatura reconhecida.
Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes
nos contam histórias.
Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.
Lar é onde nos amam.

Rosa Lobato Faria , "O Sétimo Véu"

(mood: Michael Bublé, Home, em
http://www.youtube.com/watch?v=fDQnkYwfNfk)

Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Espera...


Espera...
Guarda um pouco a criança impulsiva,
irrequieta e incessante que trazes dentro.
És homem. Sólido e maduro.
Sabes o que queres, o que esperas.
Dá um tempo. Dá tempo ao tempo.
Recolhe-te um pouco. Serena.
Sim, eu sei: és todo coração!
Mas espera... espera...
O que tiver de ser... será!
E tu sabes... sempre foste encontrado.
E o melhor... veio sempre de surpresa!

Sábado, Outubro 13, 2007

Uma vez...


"... em África andava eu no mato, quando vejo uma zebra maluca às cabeçadas às árvores e afligi-me todo porque o animal não era dali e ia espatifar-se fora do seu horizonte. Alto, bicho bonito! Vem ao pé de mim que te levo para a tua savana, nem que nessa caminhada demore o resto da minha vida. Olhou-me com olhos tão meigos que vi logo que me tinha entendido, os animais entendem as palavras e as intenções por detrás delas, caminhou ao meu lado como burro doméstico, era uma fêmea, ao fim de três horas ajoelhou para que eu montasse. E assim andámos dois dias, dorme aqui, avança acolá, cheirávamos a água do rio mas não alcançávamos de lá chegar, ao terceiro dia, mais mortos que vivos, avistámos a margem e bebemos.

Do outro lado era a savana, a zebra havia de atravessar a nado, eu voltaria para trás, mas não sei porquê deu-me um nó na garganta e à zebra também, que me rodeava, roçava a cabeça no meu peito e não partia. Fui à caça de alguma coisa para comer, depenei o meu pássaro, fiz uma fogueira para assá-lo, pensei, agora vai fugir com medo do lume, mas não, deitou-se ao meu lado como se esperasse alguém ou alguma coisa.

Porque já sabia que me escutava falei-lhe de manso, zebra minha amada, a tua vida não é deste lado do rio, tens que ir-te à procura dos teus, ninguém vive bem sozinho e uma zebra muito menos, tens a tua manada, todas às riscas bonitas como tu, pretas e brancas, a explicar aos homens que preto e branco se misturam na maior beleza, eu sei que és minha amiga e que me estás agradecida, mas chegou a hora de dizermos adeus. Correu um pouco pela margem, experimentou a água. Agora é que vai, qual quê, eu estava deitado com as mãos debaixo da nuca, voltou para trás, deitou-se, pousou a cabeça no meu peito e adormeceu.

Era um peso enorme, mas não quis enxotá-la, havia de parecer-lhe ingratidão, lá adormeci e à medida que dormia o peso fez-se mais leve e no meio da noite acordei de repente e tinha uma mulher nos meus braços e uma pele de zebra a cobrir-nos aos dois. Ela era negra, linda, macia e cheirosa, apertou contra o meu o seu corpo nu e ali nos amámos e nunca, nos dias da minha vida, amei nenhuma que se lhe comparasse.

Um ano inteiro vivemos juntos à beira do rio, nunca lhe pedi explicações porque o mistério é o mistério, da pele costurou colete que nunca mais larguei, ensinou-me tudo sobre o amor, a terra, a floresta, a savana e o rio, ensinou-me, na verdade, tudo quanto sei e a paixão que tinha para viver, vivi-a toda naquele ano, naquela terra quente, à beira daquele rio.

Uma madrugada, que recordo como a mais triste de toda a minha vida, não senti a sua cabeça na cova do meu ombro, nem a sua coxa sobre a minha coxa, nem a sua mão pousada no meu peito. Abri os olhos sobressaltado, saí da cabana, chamei. Mas apenas vi do outro lado do rio, uma zebra que se afastava na luz quieta da primeira manhã."

Rosa Lobato Faria, “Os Pássaros de Seda

(Uma sublime história de AMOR! E o AMOR... é tudo!)

Quarta-feira, Outubro 10, 2007

Amor


O que eu amo sobretudo
é a simplicidade de um solo
que não possuo.
O que eu espero é um improvável elemento
que aglutine os despojos do silêncio
e lhes dê um rosto
maravilhosamente tranquilo.

António Ramos Rosa

Terça-feira, Outubro 09, 2007

Amizade


Foi assim o fim de dia, em S. Bernardino, no passado domingo.
O desfecho perfeito para um dia FELIZ!

Por tudo o que são, por tudo o que representam para mim,
do fundo do coração:

Obrigado meus amigos, Alda, Vítor e pequeno Francisco :o)

Um abraço forte e emocionado.

(um beijo com muito carinho para ti, Isabel, pela partilha)

Sábado, Outubro 06, 2007

Dei-me inteiro


Dei-me inteiro.
Os outros fazem o mundo (ou crêem que fazem).
Eu sento-me na cancela,
sem nada de meu
e tenho um sorriso triste
e uma gota de ternura branda no olhar.
Dei-me inteiro.
Sobram-me coração, vísceras e um corpo.
Com isso vou vivendo.

Rui Knopfli

Quinta-feira, Outubro 04, 2007

Poema


o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo,
e que existe porque me olhas,
o poema é o teu rosto,
eu, eu não sei escrever
a palavra poema,
eu, eu só sei escrever o seu sentido.

José Luís Peixoto

Domingo, Setembro 09, 2007

E assim fui crescendo


e assim fui crescendo. mergulhando nos dias, como quem sabe que tudo pode encontrar. ou perder. mas só por isso, renascer. os anos foram nascendo e morrendo, nesta espécie de caminho marítimo para mim mesma. navego em barcos metafísicos, naufrago em águas de sede profunda e sigo caminhando o destino que escolho para mim. e há dias em que vejo nascerem flores na palma aberta da minha mão. e eu olho e digo que sim.

Inês Leal

Sábado, Junho 02, 2007

Tua...


Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente

tua...

Isabel Machado

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Teu Riso


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

Terça-feira, Maio 01, 2007

Ilha



Deitada és uma ilha
E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitada és uma ilha
que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

David Mourão-Ferreira

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

Para ti



Fiquei louco, fiquei tonto
meus beijos foram sem conto
apertei-te contra mim
enlacei-te nos meus braços
embriaguei-me de abraços
fiquei louco e foi assim

dá-me beijos, dá-me tantos
que enleado em teus encantos
preso nos abraços teus
eu não sinta a própria vida
nem minha alma, ave perdida
no azul amor dos teus céus

Fernando Pessoa

Domingo, Setembro 04, 2005

Magia



Não pode o lótus florir de noite
Nem a lua brilhar durante o dia
Apenas o teu rosto
Consegue realizar essa magia

Anónimo (Índia)

Sábado, Agosto 27, 2005

And I'll kiss you... forever!



I'll kiss the sleep from your eyes
I'll kiss you when the sun goes down
I'll kiss your until sunrise
I'll kiss the skin from your lips
And I'll kiss you on your fingertips
And I'll kiss you on the back of your neck
And I'll kiss you behind your ears
And I'll kiss away your tears and fears
And I'll kiss away those hurting years
And I'll kiss away those cruel dark hours
And I'll kiss the petals on your flower
I'll kiss you, I'll kiss you
I'll kiss you until heaven sends you
I'll kiss you between your toes
I'll kiss you on the bottom of your feet
I'll run my tongue across your back
I'll kiss you behind your naked knees
I'll kiss your breast, I'll drink your milk
I'll run my tongue between your lips
I'll kiss you, kiss you, kiss you on your sex
And I'll take you, take you, take you in my mouth
And I'll kiss you, kiss you until heaven sends you

Mission UK, "Heaven Sends You"

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

É o Amor



1. Mafalda Veiga - O Lume
2. Adriana Calcanhoto - Fico Assim Sem Você
3. Anna Cláudia - Presente
4. Cazuza - Faz Parte do Meu Show
5. Daniela Mercury - Como Vai Você
6. Flavio Venturini - Céu de Santo Amaro
7. Gal Costa & Tim Maia - Um Dia de Domingo
8. Luis Represas - Quando Me Perco
9. Mafalda Veiga - Restolho
10. Paulo Gonzo - Vem
11. Plinio Oliveira - Oração Cabocla
12. Roberto Carlos - Cavalgada
13. Maria Bethânia - É o Amor
14. Roupa Nova - Bem Maior
15. Maria Bethânia - Eu Preciso de Você
16. Maria Bethânia - Gostoso Demais
17. Tribalistas - Velha Infância

Domingo, Agosto 07, 2005

A vida não é existir sem mais nada



Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário

Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem côr e sem vontade

Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar pra aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração

Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar pra aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração

Mafalda Veiga, "Restolho"

Domingo, Julho 31, 2005

Amor de Alma



Se fosses luz serias a mais bela
De quantas há no mundo: - a luz do dia!
- Bendito seja o teu sorriso
Que desata a inspiração
Da minha fantasia!
Se fosses flor serias o perfume
Concentrado e divino que perturba
O sentir de quem nasce para amar!
- Se desejo o teu corpo é porque tenho dentro de mim
A sede e a vibração de te beijar!
Se fosses água - música da terra,
Serias água pura e sempre calma!
- Mas de tudo que possas ser na vida,
Só quero, meu amor, que sejas alma!

António Botto

Quarta-feira, Julho 27, 2005

Heaven Sends You



(mood: Mission UK, "Heaven Sends You")

Como a palmeira jovem
que Ulisses viu em Delos, assim

esbelto era o dia
em que te encontrei;

assim esbelta era a noite
em que te despi,

e como um potro na planície nua
em ti entrei.

Eugénio de Andrade

Terça-feira, Julho 26, 2005

És tu a Primavera que eu esperava



És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante!

Sophia de Mello Breyner Andresen

Domingo, Julho 24, 2005

Só um homem e uma mulher...



Esta agitação... esta calma
de te querer amor de pele,
de carne, amor de alma
De te querer simplesmente
em desvario de palavra
de te sentir ardente
ardendo
entrar em mim tão profundamente
neste ardor que me ocupa
sem pudor nem culpa
só um homem e uma mulher... o amor
a cada fracção de tempo
este crescente calor...
este, que é o meu e o teu
e que nunca ninguém conheceu
não assim... como nós

Joana Ramos Pereira

Sábado, Julho 23, 2005

No teu rosto



No teu rosto começa a madrugada.
Luz abrindo,
de rosa em rosa,
transparente e molhada.
Melodia
distante mas segura;
irrompendo da terra,
quente, redonda, madura.
Mar imenso,
praia deserta, horizontal e calma.
Sabor agreste.
Rosto da minha alma.

Eugénio de Andrade

Domingo, Julho 17, 2005

Despertar



É um pássaro, é uma rosa,
é o mar que me acorda?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa
canto na ave, água no mar.

Eugénio de Andrade

Sexta-feira, Julho 15, 2005

O Sorriso



Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade

Quando AMAMOS



Quando AMAMOS
não temos necessidade nenhuma de entender o que acontece,
porque tudo passa a acontecer DENTRO DE NÓS.

Paulo Coelho, "O Alquimista"

Quinta-feira, Julho 14, 2005

Se é para ti



Se é para ti,
sou o ovo de cotovia à beira do caminho.
Se é para outro qualquer,
sou o pequeno pássaro que dorme numa ilha longínqua.

Autor desconhecido (Madagáscar)
Versão: Herberto Helder

Terça-feira, Julho 12, 2005

Nuvem de acácia



Nuvem de acácia
alva e púrpura
de ternura

tão tua
e tão nua.

Um só corpo de água
o teu sobre o meu,
como um céu.

Diogo M Silva

Domingo, Julho 10, 2005

O Lume



Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida dá

Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo, o medo levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter

Não percas tempo,
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar

Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti

Não percas tempo
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar

Mafalda Veiga

Sábado, Julho 09, 2005

Dons do Amante



Sobre a tua cabeleira hei-de pôr, para as núpcias,
uma coroa de borboletas com suas
asas pintadas.

Terás de volta ao pescoço flores de abóbora,
em prata,
e a lua que para ti noites e noites forjei.

Andarás pelo povo sobre um cavalo em turquesa.
Um cavalo ardente e leve, animado
pelo meu fogo de amor.

E a teus pés eu lançarei uma pedra quente quente:
o coração onde correm
milhões de gotas de sangue.

Poema Índio (América do Norte)
versão: Herberto Helder

Sexta-feira, Julho 08, 2005

Para que se justifique a nossa vida

(...)
Para que se justifique a nossa vida
É preciso que alguém a invente em nós.
Os que nunca inspiraram um poema
São as únicas pessoas sós.

Natália Correia

Sábado, Julho 02, 2005

Gosto de...


...
Há uns anos atrás li um texto, do Eduardo Prado Coelho, no DN, escrito em torno do "Gosto" e "Não Gosto". Nunca mais o esqueci. Hoje, depois de ler o post da Rita, "Afinidades", em http://intimidadeindecente.blogspot.com,
fiquei com vontade de partilhar alguns dos "Gostos", em que me revi, e juntar-lhes outros só meus. O resultado aqui está:
...
Gosto de gostar. Gosto dos focinhos húmidos dos animais e daquela forma de olhar como se alguém estivesse a olhar através do olhar deles. Gosto de sorrir e do meu sorriso. Gosto de brincar com pessoas que gostam de brincar. Gosto dos meus olhos. Gosto de estar apaixonado. Gosto de dizer "tu" como se "tu" pudesse(s) ser Deus. Gosto de pastéis de nata. Gosto de Jazz e de música popular brasileira. Gosto da palavra ternura. Gosto do azul do céu. Gosto de nuvens brancas. Gosto de ajudar. Gosto de filmes que acabam bem. Gosto de sorrisos cheios de sol. Gosto da minha casa. Gosto do jardim com as rosas, as buganvílias, a tabela de basket, o jacarandá, a magnólia e os amores-perfeitos. Gosto de livros, de lhes tocar e de os ler sem parar. Gosto dos momentos em que alguém desfaz o nó onde se protege. Gosto das minhas mãos e do que elas sentem e transmitem. Gosto de proteger o sono do outro. Gosto dos cabelos das mulheres e dos dedos que os percorrem. Gosto de ouvir quem tem algo para me dizer. Gosto da praia do Gigi naqueles fins de tarde preguiçosos. Gosto de olhares ternos. Gosto de dar a mão. Gosto da minha colecção da Burago de carros antigos. Gosto de nadar nu, no mar. Gosto de ti! Gosto de mim! Gosto de História. Gosto de conduzir. Gosto de conversar. Gosto de tornozelos elegantes. Gosto do silêncio das catedrais. Gosto dos sítios que ainda quero visitar, Siena, Veneza, Florença, o pulo do lobo, e outros que não sei de cor. Gosto de relógios. Gosto de dizer o que sinto. Gosto de chocolate, sólido ou quente. Gosto que me façam carinhos. Gosto ainda mais de os fazer. Gosto de cães. Gosto da sedução que se intensifica através das palavras. Gosto de Paris. Gosto de oferecer as rosas do meu jardim, porque foram cuidadas por mim e têm mesmo perfume de rosa. Gosto da National Gallery e dos jardins de Londres. Gosto da liberdade. Gosto do Bairro Gótico em Barcelona. Gosto de Lisboa vista da ponte. Gosto de adormecer em paz. Gosto de olhar no fundo dos olhos. Gosto de dar aulas e dos meus alunos. Gosto de olhar o mar, sobretudo ao pôr-do-sol, com uma mão na minha. Ou mesmo sozinho, quando é preciso pensar. Gosto de beijar. Gosto de roupas confortáveis. Gosto de subir a Serra de Sintra de bicicleta. Gosto de futebol e do Benfica. Gosto de sentir os sons da Natureza e a sua paz. Gosto de rir. Gosto de sonhar. E há pessoas de quem gosto tanto que não posso dizer apenas que gosto delas. Por isso não falo delas aqui.
Gostei de falar de mim.

Sexta-feira, Julho 01, 2005

Prece



Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quinta-feira, Junho 30, 2005

Não te amo como se fosses rosa de sal...



Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda

Domingo, Junho 26, 2005

Deixaste um pedacinho de Ti



(mood: feather theme (piano), Forrest Gump Soundtrack)

Deixaste um pedacinho de ti
dentro do meu afecto.
E agora? O que faço contigo?
Se foi esquecimento... devo ligar a avisar?
Ou guardo-o comigo... na esperança que possas voltar?

Posso fingir que não foi nada... Isso.
Não seria um roubo verdadeiro
e assim tinha-te mais um pouco... mesmo que não por inteiro
mas e se desses pela falta...? Virias reclamá-lo, levá-lo de volta?
e depois que seria de mim... sem nada mais teu, nem o pouco de 'nosso'

Não vês que não aguento, que não posso?
Se não te importares guardo-o só mais um bocadinho
só mais alguns noites, alguns dias
dou-lhe mimo, carinho, não o deixo sozinho
aqueço-o no embalo dos meus sonhos
aconchego-o com calor dos meus olhos

Se precisares mesmo dele então procura-me que eu devolvo
mas dá-me só mais umas noites, só mais uns dias
para te sonhar, para te viver de novo

Se tiver mesmo de ser... eu dou
mas de tanto te viver em mim
quando te chegar já foi um pedacinho meu junto...

Será que me guardas também um pouco?
Ou ligas a avisar do que me esqueci?
...
terei de dizer que foi de propósito que o perdi?

Joana Ramos Pereira

Domingo, Junho 19, 2005

Segredo

Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma,
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de Fevereiro?
O amor ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.

Fernando Pinto do Amaral

Sexta-feira, Junho 17, 2005

Virei algumas vezes no teu sono



Virei algumas vezes no teu sono
Visitante longínquo, inesperado...
Não me deixes lá fora, no caminho
Não tranques a porta para mim.

Sem ruído entrarei,
sentar-me-ei
Olharei o teu rosto no escuro.
Depois saciado desse olhar
Beijar-te-ei de leve e partirei.

Nicola Valptzarov

Nicola Valptzarov foi um poeta búlgaro, membro da Resistência. Preso pelos nazis, foi torturado e finalmente fuzilado a 23 de Julho de 1942. Horas antes de morrer, escreveu este poema, dedicado à sua mulher.

Segunda-feira, Junho 13, 2005

Nunca te direi Adeus...



POEMA À MÃE

No mais fundo de ti
Eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

Não me esqueci de nada, meu Poeta. Guardo a tua voz dentro de mim.
Serás sempre uma inspiração, um afago, o coração e a emoção, uma
presença viva nas minhas "Margens do Sonho". Nunca te direi Adeus...

Soneto de amor



Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio

Pintura - "Intimate"
de Rita Rodrigues
(ex-aluna, querida amiga)

Domingo, Junho 12, 2005

Se tanto me dói que as coisas passem



Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sábado, Junho 11, 2005

Poema melancólico a não sei que mulher



Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...

Miguel Torga

Sexta-feira, Junho 10, 2005

Amor é fogo que arde sem se ver



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Quarta-feira, Junho 08, 2005

Sempre

Há sempre uma espera
à esquina do poema
como na paz que
certos seres respiram.

Há sempre um poema
em ti, no olhar,
quando me invades
com uma plenitude
do tamanho
de descobrires o mar.

Luís Melo

Segunda-feira, Junho 06, 2005

Tu



Existe qualquer coisa em ti...
esse 'quê' sem nome
deve ser esse cheiro tão teu, ou
talvez quando encostas esse olhar ao meu
esse corpo tão imenso
o teu riso rasgado tão intenso
que me devolve contra mim...
contra o meu peito submerso
na doce possibilidade de perder o norte assim
de mergulhar nessa húmida doçura
sem medo de te provar intensamente
uma, e mais outra vez entrar suavemente
na tua pele...nessa intensa corrente
-
Existe, sim, qualquer coisa em ti...
Que afina esta melodia inédita
do desejo de te conter no meu peito
de mergulhar o meu beijo no teu
de te amar a preceito
de sentir-te dentro de tudo o que é meu
de me preencheres em uníssono perfeito
e no fim suarmos na pele salgada
o prazer cansado, a textura arrepiada
a boca ainda ofegante do que a tua me deu
-
Existe mesmo qualquer coisa em ti...
que me faz vibrar o ventre em novos acordes
que me remete para um arrepio de amor
e desejar-te uma e mais outra vez,
cobrir-me do teu calor
sentir-me tão dentro de ti....
sem qualquer vergonha ou pudor
Ser o privilégio de despertar os teus olhos
De madrugar a tua manhã
num abraço profundo
Não me importar de ser o teu mundo
-
Existe qualquer coisa em ti...
Que me faz precisar dessa força só tua de ser pessoa
que me faz estremecer por ser melhor
que me faz querer ser boa
-
Existe mesmo muito em ti...
que me trouxe de volta,
de volta para o melhor de mim

Joana Ramos Pereira

Domingo, Junho 05, 2005

Respiro o teu corpo



Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade

Sábado, Junho 04, 2005

Bastava-nos amar



Bastava-nos amar.
E não bastava o mar.
E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.

Bastava-nos ficar.
E não bastava o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar.
Até que o mar pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.

Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.

Joaquim Pessoa

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Nocturno



O desenho redondo do teu seio
Tornava-te mais cálida, mais nua
Quando eu pensava nele...Imaginei-o,
À beira-mar, de noite, havendo lua...

Talvez a espuma, vindo, conseguisse
Ornar-te o busto de uma renda leve
E a lua, ao ver-te nua, descobrisse,
Em ti, a branca irmã que nunca teve...

Pelo que no teu colo há de suspenso,
Te supunham as ondas uma delas...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
Era um convite lúcido às estrelas...

Imaginei-te assim à beira-mar,
Só porque o nosso quarto era tão estreito...
- E, sonolento, deixo-me afogar
No desenho redondo do teu peito...

David Mourão Ferreira

Domingo, Maio 15, 2005

Desejo



Queria ser essa noite que te envolve;
e cobrir-te com o peso obscuro
dos braços que não se vêem.
Um murmúrio desceria de uma vegetação de palavras,
enrolando-se nos teus cabelos como
secretas folhas de hera,
num horizonte de pálpebras.
Deixarias que te olhasse o fundo dos olhos,
onde brilha a imagem do amor.
E sinto os teus dedos soltarem-se da sombra,
pedindo o silêncio que antecede a madrugada.

Nuno Júdice

Uma voz na pedra



Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra

António Ramos Rosa

Quinta-feira, Maio 12, 2005

Uma criança pode sempre ensinar...



Uma criança pode sempre ensinar
três coisas a um adulto:
a ficar contente sem motivo,
a estar sempre ocupado com alguma coisa,
e a saber exigir- com toda a força- aquilo que se deseja.

Se ouvirmos a criança que temos na alma,
os nossos olhos tornarão a brilhar.
Se não perdermos o contacto com essa criança,
não perdemos o contacto com a vida.

Paulo Coelho

Canção

Hoje venho dizer-te que nevou
no rosto familiar que te esperava.
Não é nada, meu amor, foi um pássaro,
a casca do tempo que caiu,
uma lágrima, um barco, uma palavra.

Foi apenas mais um dia que passou
entre arcos e arcos de solidão;
a curva dos teus olhos que se fechou,
uma gota de orvalho, uma só gota,
secretamente morta na tua mão.

Eugénio de Andrade

Segunda-feira, Abril 18, 2005

Para atravessar contigo o deserto do mundo



Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen

Poema



Podemos falar dos sentimentos,
descrever as impressões que nos ameaçam,
e revelar o vazio que se descobre
na ausência um do outro:
nada, porém, é tão inquietante como a dúvida,
o não saber de ti, ouvir o desânimo na tua voz,
agora que a tarde começa a descer e, com ela,
todas as sombras da alma.
É verdade que o amor não é apenas
um registo de memórias.
É no presente que temos de o encontrar:
aí, onde a tua imagem se tornou
mais real do que tu própria,
mesmo que nada te substitua.
Então, é porque as palavras são supérfluas;
mas como viver sem elas?
Como encontrar outra forma de te dizer
que o amor é esta coisa tão estranha,
dar o que nunca se poderá ter,
e ter o que está condenado a perder-se?
A não ser que guardemos dentro de nós,
num canto de um e outro
a que só nós chegamos,
sabendo que esse pouco que nos pertence
é tudo o que cabe neste sentimento.

Nuno Júdice

Terça-feira, Abril 12, 2005

Ser Poeta

Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.

Alberto Caeiro

Quinta-feira, Abril 07, 2005

Viagem



Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga

Cântico de Amor

Ama quem amas, como o vento
Ama as folhas de olmo
(Amor que lhes transmite movimento
E alegria.)
Asa que possa andar no firmamento,
Só caminha no chão por cobardia.

Miguel Torga

Quarta-feira, Abril 06, 2005

Pegadas...



Vemos na foto as pegadas. Apenas as pegadas. Mas os animais passaram por lá! Será que ainda vivem? Ou já terão, alguns deles, sido abatidos para que as suas peles venham a ser usadas na indústria da moda (a portuguesa Fátima Lopes é uma das clientes) e depois indecorosamente ostentadas por outros animais, ditos racionais?

Nestas ou noutras neves, estes ou outros animais são diariamente massacrados de forma criminosa, deplorável e ultrajante. Não podemos ficar indiferentes. E por isso decidi juntar as “Margens do Sonho” à iniciativa desenvolvida pela Associação Portuguesa Animal, melhor explicada no blog Voz Oblíqua.

(http://vozobliqua.blogspot.com).

Junta o teu blog a esta iniciativa!
Há que lutar contra esta situação!

Página do diário de um aluno

Reprovei. “És um malandro!” – disse o meu Pai. “Não dás para os estudos” – disse a minha Mãe. E eu não sou malandro, nem burro! Ou serei? Realmente eu não estudo muito e não entendo lá muito bem certas coisas que os professores dizem. Mas o meu pai até gosta que eu vá para o campo com ele. Ainda ontem carreguei sacos para o tractor durante toda a manhã. Começamos ainda o sol mal tinha nascido e só parámos quando ao meio-dia a Mãe nos chamou para o caldo. E trabalhei de boa vontade. O meu pai disse que eu ajudava mais do que um homem... Então serei malandro? A verdade é que gosto mais de trabalhar no campo do que estar na escola. Não vejo para que servem muitas das coisas que lá se estudam. E depois... os professores não ajudam! No princípio eu julgava que ia conseguir e até ia com vontade. Mas comecei logo a desanimar. Foi lá uma senhora à sala e disse que aquilo ia ser difícil, que muita gente ia reprovar. Só quem trabalhasse muito e tivesse boa cabeça é que conseguia. E ela tinha razão. Comecei a não entender as coisas – os professores falam de uma maneira tão difícil! Eu tinha vergonha de perguntar, porque me parecia que só eu é que não entendia. E para além disso, alguns colegas faziam tudo tão depressa! Mas eu, e muitos da minha turma, mal tínhamos começado e já os professores estavam a querer tudo feito. E é aos que fazem bem os trabalhos que os professores ligam mais. Gostam mais deles e é natural. São mais inteligentes, trazem sempre os trabalhos feitos como os professores querem. Estão sempre prontos a responder, levam todo o material que eles pedem. Mas escusavam de nos desencorajar tanto, a nós que não temos tanta cabeça. Falam do que fazemos e de sermos vagarosos, de um modo tão zangado!
Na Páscoa tivemos uma aula de Ciências em que viemos apanhar bichos e os levámos para a sala. Eu lembrei-me de construir umas gaiolas para os grilos e umas caixas para as sardaniscas e as cobras de água que apanhámos. Depois até contei sobre esses bichos algumas coisas que eu tenho visto e eu sei. Trabalhei com vontade dessa vez. Se fosse sempre assim! O professor até disse “para a brincadeira estás sempre pronto...”
Acabou-se. Agora já não há remédio. Certamente para o ano já não posso voltar para a escola. Mas também não sei se me apeteceria. De alguns colegas gosto. Gosto dos recreios, gosto de vir com eles para a rua. E gostava de gostar da escola e dos professores. Mas nunca tive nenhum que gostasse de mim. Porque será?

Começou agora mais um período lectivo. Este post é para mim! E para todos os que têm responsabilidades na área da educação ou por ela se interessam.
Para que nunca nos esqueçamos do mais importante:
Eles! E sobretudo, estes eles!

Domingo, Abril 03, 2005

Inês... minha querida, minha "estrelinha do mar".


A animação é geral. Os primos vieram passar o fim de semana, a brincadeira é constante, os filhotes estão eufóricos.

E nisto... há poucos momentos... a minha pequenita Inês, a minha "estrelinha do mar", como sempre lhe chamei (nome que vem daqueles momentos mágicos, de partilhar as histórias de sonhar... antes de dormir), entra de mansinho no escritório, onde eu arrumava burocracias, os papéis que ninguém lê, e diz-me com a sua voz doce, de menina feliz:

- Pai, dá-me aquele dicionário de Português!
- Para quê, filhota?
- Quero ir aprender mais palavras difíceis e escrevê-las no meu caderno.

O meu coração, a sorrir, pegou no dicionário, que estava na prateleira mais alta da estante, e entregou-lho com um beijo terno.

E ela ali está, feliz... tranquila... nos seus lindos oito anos, a aprender palavras difíceis. Acho que a última que encontrou foi... abacaxi.

O Pedro está lá em cima, com os primos, a jogar PS2. E faz muito bem. Está de férias, é um excelente aluno e um bom menino.

E eu... não resisti. Precisava de partilhar este momento. E tenho nos olhos a ternura molhada que invade um pai... a olhar, em desvelo, para uma parte de si...

Obrigado meu amor, minha "estrelinha do mar".

Sábado, Abril 02, 2005

Pensamento

"É aceitável que uma criança tenha medo do escuro,
tragédia humana é quando não queremos ver a Luz." Platão

Um Retrato...


Sim... um retrato. Mas de quê?
O que vos sugere?
Que emoções vos desperta?
Deixo o desafio à vossa criatividade e sensibilidade...

A Catedral...

Certo dia um aprendiz passou por três homens que estavam a trabalhar no mesmo ofício. Virou-se para o primeiro e perguntou:
- O que fazes?
- Assento tijolos– respondeu-lhe este com um ar infeliz.

Passou pelo segundo e fez a mesma pergunta ao que este respondeu com um ar conformado:
- Levanto uma parede.

Quando se dirigiu para o último parou, por instantes, para admirar a sua profunda alegria.
- Que estás a fazer que te dá tanta satisfação?
- Construo uma catedral!

De facto, todos vivemos sob o mesmo Céu...

mas cada um tem o seu horizonte!

A forma como “assentas os tijolos” e como “levantas as paredes” da tua catedral (http://allinthemoods.blogspot.com/) deixam perceber um horizonte magnífico.

Obrigado mood, pela partilha.

Um grande beijinho.

P.S. Não deixes de ler as minhas palavras no “deus de encomenda”.

Sexta-feira, Abril 01, 2005

Eu trouxe comigo o mar...

A INFÂNCIA

"As crianças brincam na praia dos seus pensamentos
e banham-se no mar dos seus longos sonhos

A praia e o mar dos pensamentos não têm fronteiras

E por isso todas as praias são iluminadas
E todos os mares têm manchas verdes

Mas muitas vezes as crianças crescem
Sem voltar à praia e sem voltar ao mar.."

Fernando Sylvan, "A Voz Fagueira de Oan Timor"

Sábado, Março 26, 2005

Um entardecer...


... por dentro do Sonho.

Sexta-feira, Março 25, 2005

Um deus de encomenda

É urgente
arranjem-me um deus
não um deus qualquer
que eu sou exigente
um deus nascido de fêmea-mulher
e que não tenha igreja
nem more num altar
um deus que fique onde eu o veja
um deus com quem possa falar
não precisa refulgir de luz
não é pra pendurar
nem pregar na cruz
(...)
eu quero um deus que vá à luta
que sofra
que transpire por um salário
que comigo beba um copo ao sol poente
que me ajude a nadar contra a corrente
e quando eu estiver próximo do fim
nessa névoa doce junto ao mar
que tenha sido o deus em que eu soube acreditar
sabendo que ele
sempre acreditou em mim

arranjem-me um deus!
é urgente

J. M. Restivo Braz

Segunda-feira, Março 21, 2005

Amar é a única inocência...


(...)
Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Quarta-feira, Março 16, 2005

A História do Beija-Flor

... Era uma vez uma floresta num lugar longínquo, onde o Homem ainda não tinha chegado. Nessa floresta viviam muitos animais de diferentes espécies, tamanhos, cores e feitios. Era ainda o tempo em que os animais falavam.
Certo dia, houve um incêndio, um grande incêndio, como nunca antes havia sido visto. Perante a tragédia, o pânico instalou-se. Os animais fugiam num alvoroço, cada um procurando, da melhor forma possível, fugir às chamas, ao fumo sufocante e ao intenso calor que se fazia sentir, só pensando em colocar-se a salvo o quanto antes.
Mas... naquele cenário caótico, de desespero e medo colectivos, um pequeno animal teve um comportamento diferente. Na sua fragilidade, na sua singela figura, um beija-flor voava até ao lago e, com o seu pequenino e aguçado bico, recolhia, uma a uma, lenta mas persistentemente , gotinhas de água atrás de gotinhas de água, que ia depois deixando cair sobre o incêndio que lavrava cada vez mais descontrolado.
Um outro animal, observando intrigado o comportamento do pequeno beija-flor, interrompeu a sua fuga e perguntou:
- Beija-flor, mas tu estás louco? Porque te arriscas assim? Tu achas verdadeiramente que vais conseguir apagar o incêndio dessa forma?
O Beija-flor respondeu então:
- Não... claro que não, eu sei que o meu pequeno esforço não será suficiente para apagar este incêndio tão grande mas... eu estou apenas...
a cumprir a minha parte!

Esta história, a história do beija-flor... é seguramente uma história que nos fará reflectir a todos e, quem sabe, ajudar-nos a perspectivar de outro modo as nossas vidas. E deixo-a aqui com uma dedicatória muito muito especial, para alguém que adoro e que para sempre estará no meu coração. Esta história é para ti minha querida. Sim, para ti... xokito! :o)
Beijos com muito carinho e ternura.

Segunda-feira, Março 14, 2005

A Mulher...


De uma beleza inigualável, esteticamente perfeita...
haverá algo de mais profundamente extraordinário,
de mais intrigante, de mais fascinante e sublime que a Mulher?
E que dizer do seu lado complexo e contraditório?
Nunca nada nos deixou tão longe da verdade... a Mulher,
esse ser único e insondável e mesmo assim...
verdadeiramente insubstituível!

Domingo, Março 13, 2005


Sintra... onde o passado está tão presente...

Pedro, lembrando Inês...

Em que pensar, agora, senão em ti?
Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,
e trouxeste a manhã da minha noite.
É verdade que te podia dizer
“Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem,
sermos o que sempre fomos,
mudarmos apenas dentro de nós próprios?”

Mas ensinaste-me a sermos dois;
e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.
Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo,
ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
mesmo ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo,
para ganhar o tempo que o tempo nos rouba.
Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:
com a surpresa dos teus cabelos,
e o teu rosto de água fresca que eu bebo,
com esta sede que não passa.
Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,
como gostas de mim,
até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice
In-Pedro Lembrando Inês

Sexta-feira, Março 11, 2005

O que importa é viver...



Temos medo de quê? De nos perdermos? De naufragarmos? Não adianta... Porque a vida é mesmo isso... Sonhar e despertar. Ganhar e perder.

Seremos apenas "instrumentos"?

Às vezes tenho ideias, felizes,
Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto?
Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Segunda-feira, Março 07, 2005


Menino Problema - uma foto possível para ilustrar o poema abaixo...

Um poema...

Hoje pediram-me para dizer este poema numa Acção de Formação, para professores, sobre "Gestão das Emoções na Aprendizagem"
Aqui fica com a devida vénia...

E vale a pena ler...

E reflectirmos...

MENINO PROBLEMA

Tu vens ao meu encontro
Com olhos de dúvida e de espanto
E gestos marcados pela amargura
Tu que és um filho do desamor
O fruto do desinvestimento
Da ausência total de ternura
Vives em rebeldia e tormento.

Tu
Arrancado à inocência
Moldado na dor e na violência
Que tiveste mãe que não soube sê-lo
E pai ausente que é como não tê-lo
Tu que, morto de toda a esperança,
Fazes da rua o teu lar de criança
E da solidão a família que não tiveste
Foges!
Foges sem destino e para o teu destino
De menino...
Menino-sofrimento, menino agreste
Menino-revolta
Menino-problema, menino à solta
Menino-triste!
Até que um dia vens
Com olhos cor da noite
Sem saberes, ainda, que o verde existe.
E eu, que não sou juiz para te julgar
Nem polícia para te prender
Sou médica, tenho que te entender
Para te encontrar!
E sinto...
Sinto por ti e contigo,
Com afecto solidário e amigo
A agressão, a revolta, a tristeza, o problema.

E falo...
Falo a língua possível- oh contradição-
Das pessoas felizes para as que o não são.

E busco...
Busco porquês e ausências
Relaciono consequências.

Quanto te vejo partir
Com tudo o que sobre ti se abateu
E fico na solidão do decidir
Sobre o rumo a dar à tua vida
Pergunto-me, comovida,
Quem sou eu?

Ofélia Bomba, médica psiquiatra, do livro "A Porta De Reixa"

Sábado, Março 05, 2005

Pensamento

"Poucos aceitam o fardo da própria vitória; a maioria desiste dos sonhos quando eles se tornam possíveis." Paulo Coelho, O Diário de Um Mago